
Chicago não estava no nosso radar como “prioridade máxima” nos EUA. E foi exatamente por isso que ela nos surpreendeu tanto.
Quando pensamos em uma viagem aos Estados Unidos, normalmente Nova York, Califórnia ou os parques da Flórida acabam aparecendo antes no roteiro. Talvez justamente por isso ela tenha conseguido nos surpreender tanto.
Ela tem a energia de uma grande metrópole, mas sem o ritmo acelerado de Nova York. Tem uma arquitetura impressionante, um lago tão imenso que parece um mar, uma cena gastronômica fantástica e bairros que convidam a caminhar sem pressa.
Foi uma cidade que nos conquistou aos poucos.
Primeiro pela arquitetura. Depois pelos parques. Pela vida às margens do Lago Michigan. Pelos restaurantes. E, quando percebemos, já estávamos falando que era uma das cidades mais legais que conhecemos nos Estados Unidos.
Se você está planejando uma viagem, reunimos neste guia tudo o que gostaríamos de ter sabido antes de embarcar: quando ir, onde ficar, quanto custa, como se locomover e os passeios que realmente valem a pena.
Como é Chicago?
Chicago é a terceira maior cidade dos Estados Unidos, mas tem uma característica que a diferencia de outras grandes metrópoles americanas: ela foi feita para ser vivida nas ruas.
O centro é extremamente caminhável, os parques são bem cuidados, o transporte público funciona muito bem e quase sempre existe alguma praça, café ou espaço público cheio de moradores aproveitando o dia.
Outra coisa que chama atenção é a arquitetura.
Depois do Grande Incêndio de 1871, boa parte da cidade precisou ser reconstruída. Foi nesse processo que Chicago se tornou um laboratório para arquitetos e engenheiros, dando origem a muitos dos conceitos que influenciaram os arranha-céus modernos.
Mesmo quem não entende nada de arquitetura acaba percebendo que existe algo diferente ali.
Os prédios parecem conversar entre si.
O Lago Michigan muda completamente a cidade
Se ninguém te contar antes, existe uma boa chance de você achar que está olhando para o oceano.
O Lago Michigan é tão grande que o horizonte simplesmente desaparece. Existem praias, marinas, ciclovias, pessoas praticando esportes aquáticos e um enorme parque linear acompanhando toda a orla.
No verão, a cidade praticamente se volta para o lago.
Praias urbanas ficam cheias, festivais acontecem praticamente todos os finais de semana e os rooftops ganham vida.
Foi uma das coisas que mais nos surpreendeu. É difícil imaginar uma cidade desse tamanho conseguindo manter uma relação tão próxima com a natureza.
Melhor época para visitar Chicago
Chicago muda completamente de personalidade conforme a estação.
No inverno, ela faz jus ao apelido de Windy City. O vento vindo do Lago Michigan deixa a sensação térmica muito mais baixa do que a temperatura indica, e entendemos rapidamente por que os americanos levam roupas de inverno tão a sério.
Já no verão acontece exatamente o contrário.
A cidade fica tomada por eventos ao ar livre, praias urbanas, bares, festivais de música e muita gente aproveitando o clima.
Nós visitamos Chicago durante o outono e, sinceramente, foi uma escolha excelente.
As árvores estavam completamente alaranjadas, o clima era perfeito para caminhar e a cidade parecia menos movimentada do que durante os meses de verão.
Se pudesse indicar apenas uma época, escolheria entre setembro e outubro.
Como chegar e sair do aeroporto
A maioria dos voos internacionais chega pelo O’Hare International Airport (ORD).
Para chegar ao centro existem três opções principais.
O trem da CTA Blue Line é a alternativa mais econômica e conecta diretamente o aeroporto ao Loop em cerca de uma hora. Para quem viaja com pouca bagagem, funciona muito bem.
Já Uber e Lyft costumam ser a melhor escolha para famílias ou grupos, principalmente quando o custo pode ser dividido.
Nossa dica é apenas evitar os horários de pico, quando o trânsito pode aumentar bastante o tempo de deslocamento.
Vale a pena alugar carro?
Na nossa opinião, não.
Durante toda a viagem fizemos praticamente tudo caminhando, utilizando metrô, ônibus e alguns deslocamentos de aplicativo.
Assim como acontece em Nova York e São Francisco, um carro acaba atrapalhando mais do que ajudando, principalmente pelos custos com estacionamento.
Só consideraria alugar um veículo caso Chicago fosse apenas uma parada dentro de uma road trip maior.
Onde ficar em Chicago
Escolher bem a região faz bastante diferença.
The Loop
É o coração turístico da cidade.
Ali ficam atrações como o Millennium Park, o Bean, o Art Institute e a Willis Tower. Para quem visita Chicago pela primeira vez, continua sendo nossa principal recomendação.
River North
Foi uma das regiões de que mais gostamos.
Concentra ótimos restaurantes, cafés, galerias e uma vida noturna muito interessante, tudo isso a poucos minutos de caminhada do centro.
Streeterville
Uma excelente opção para quem pretende aproveitar a orla do Lago Michigan, o Navy Pier e a Magnificent Mile.
Tem um clima mais tranquilo e costuma oferecer um bom equilíbrio entre localização e preço.
Lincoln Park
Mais residencial, arborizado e com ótimo custo-benefício.
É uma boa alternativa para quem pretende passar mais dias na cidade.
Quanto custa viajar para Chicago?
Chicago costuma ser mais acessível do que cidades como Nova York ou São Francisco, principalmente na hospedagem.
Como referência:
- Hotéis econômicos: entre US$ 130 e US$ 200 por noite.
- Categoria intermediária: entre US$ 200 e US$ 320.
- Hotéis de padrão superior: acima de US$ 350.
Em relação à alimentação:
- Café da manhã: entre US$ 10 e US$ 20.
- Restaurantes casuais: cerca de US$ 20 a US$ 35 por pessoa.
- Restaurantes mais sofisticados: acima de US$ 45.
Quem pretende visitar várias atrações pagas deve considerar o CityPASS, que normalmente oferece uma boa economia quando o roteiro inclui museus e observatórios.
O que fazer em Chicago
Millennium Park e Cloud Gate
Nenhuma primeira visita a Chicago fica completa sem passar pelo Millennium Park.

É ali que fica o famoso Cloud Gate, conhecido mundialmente como The Bean.
Muito mais do que uma escultura, ele acabou se tornando um ponto de encontro da cidade. É divertido observar como cada pessoa tenta encontrar um ângulo diferente refletido na superfície metálica.
Nossa dica é chegar cedo pela manhã ou próximo do pôr do sol, quando o movimento diminui bastante.
Mas o Millennium Park vai muito além do Bean.
Ali também ficam a Crown Fountain, com suas torres de LED que exibem rostos de moradores da cidade, e o Jay Pritzker Pavilion, projetado por Frank Gehry e palco de diversos shows gratuitos durante o verão.
Mesmo sem nenhuma programação especial, é um dos lugares mais agradáveis para caminhar em Chicago.
Architecture River Cruise
Se tivéssemos que recomendar apenas um passeio pago em Chicago, provavelmente seria esse.

Antes de embarcar, imaginávamos que seria apenas um passeio de barco.
Na prática, ele acabou se tornando uma verdadeira aula sobre a cidade.
Enquanto o barco percorre o Rio Chicago, os prédios vão surgindo dos dois lados e você começa a entender por que tanta gente considera Chicago um dos berços da arquitetura moderna.
Foi um daqueles passeios que terminaram muito melhor do que imaginávamos.
Magnificent Mile
Mesmo quem não pretende fazer compras provavelmente vai passar pela Magnificent Mile.

A avenida é uma das regiões mais elegantes de Chicago e concentra hotéis históricos, restaurantes, lojas de grandes marcas e alguns dos edifícios mais bonitos da cidade. É um daqueles lugares em que vale caminhar olhando para cima, porque a arquitetura chama tanta atenção quanto as vitrines.
Foi também ali que conhecemos a maior Starbucks Reserve do mundo. São cinco andares dedicados ao café, com diferentes métodos de preparo, uma torrefação própria e um ambiente muito bonito. Mesmo para quem não faz questão da marca, acho que vale a visita pela experiência.
Navy Pier
O Navy Pier é um dos lugares mais movimentados de Chicago, principalmente durante o verão.

Construído originalmente como porto no início do século XX, hoje funciona como um grande complexo de lazer à beira do Lago Michigan. Além da famosa roda-gigante, há restaurantes, jardins, eventos e apresentações ao ar livre.
Mesmo que você não queira ir nos brinquedos, recomendamos caminhar até o fim do píer. A vista para o skyline de Chicago é uma das mais bonitas da cidade.
Se estiver viajando no verão, vale conferir a programação. Em várias noites acontecem shows e queimas de fogos que deixam a região ainda mais animada.
Skydeck Chicago
Poucas cidades impressionam tanto vistas de cima quanto Chicago.

O Skydeck, localizado na Willis Tower, oferece uma das melhores panorâmicas da cidade e do Lago Michigan.
O grande destaque são os famosos The Ledge, caixas de vidro que avançam para fora do prédio a mais de 400 metros de altura.
Mesmo quem não costuma ter medo de altura sente um frio na barriga.
Nossa dica é tentar visitar no fim da tarde. Além da luz mais bonita para fotografar, você consegue acompanhar a cidade se iluminando aos poucos.
Chicago Riverwalk
Uma das coisas que mais gostamos em Chicago foi perceber como ela aproveita os espaços públicos.

O Chicago Riverwalk é um ótimo exemplo disso.
Às margens do rio, restaurantes, cafés, pequenos bares e áreas para descanso fazem com que moradores e turistas ocupem a região durante praticamente todo o dia.
Foi um dos lugares onde mais tivemos vontade de simplesmente sentar e observar a cidade.
Se você tiver tempo, caminhe sem pressa por ali. Muitas vezes são justamente esses momentos que acabam ficando na memória.
Lincoln Park
Outro lugar que adoramos foi o Lincoln Park, um enorme parque urbano às margens do Lago Michigan.

Além das áreas verdes e da vista para o skyline, ele abriga o Lincoln Park Zoo, um dos poucos zoológicos gratuitos dos Estados Unidos.
Mesmo para quem não pretende visitar o zoológico, vale caminhar pela região. A combinação entre o parque, o lago e os prédios ao fundo cria um dos cenários mais bonitos da cidade.
University of Chicago
Se tiver um pouco mais de tempo, vale incluir uma visita ao bairro de Hyde Park.

Ali fica a University of Chicago, uma das universidades mais prestigiadas do mundo.
O campus parece cenário de filme, com construções em estilo neogótico, jardins muito bem cuidados e uma atmosfera completamente diferente do centro da cidade.
Aproveite também para entrar na Rockefeller Memorial Chapel, que impressiona pelo tamanho e pela arquitetura.
Vale a pena comprar o CityPASS?
Depende bastante do seu roteiro.
Se você pretende visitar atrações como o Skydeck, Shedd Aquarium, Art Institute, Field Museum ou fazer o passeio de arquitetura pelo rio, o Chicago CityPASS costuma gerar uma boa economia.
Já quem prefere caminhar pela cidade, explorar bairros e aproveitar parques provavelmente não vai usar o suficiente para compensar.
Nossa dica é montar primeiro o roteiro e só depois comparar os valores.
O que comer em Chicago
Chicago tem uma identidade gastronômica muito própria.
A estrela mais famosa é a deep dish pizza, uma pizza de massa alta que lembra uma torta. Ela leva bastante queijo, molho de tomate e normalmente é servida em formas profundas. É diferente de qualquer pizza que já experimentamos e vale a experiência, principalmente para dividir.
Outro clássico é o Chicago-style hot dog.
Existe até uma brincadeira de que ketchup simplesmente não existe por ali. A versão tradicional leva mostarda, relish, cebola, tomate, picles, pimenta esportiva e sal de aipo. Pode parecer uma combinação inusitada, mas funciona muito bem.
Também recomendamos experimentar o Italian Beef, um sanduíche de carne fatiada servido com caldo e pimentões, muito popular entre os moradores.
Uma coisa que gostamos bastante em Chicago foi perceber que ela não vive apenas de restaurantes famosos. Em praticamente todos os bairros encontramos cafés, hamburguerias e pequenos restaurantes muito interessantes.
Algumas dicas práticas
Assim como em outras grandes cidades americanas, a gorjeta faz parte da cultura local. Em restaurantes com serviço de mesa, o mais comum é deixar entre 18% e 20% do valor da conta.
Outra dica importante é levar um bom tênis.
Chicago parece menor no mapa do que realmente é, e você provavelmente vai caminhar muito mais do que imagina.
Mesmo no verão, também recomendamos um casaco leve. O vento vindo do Lago Michigan muda rapidamente a sensação térmica, principalmente no fim da tarde.
Vale a pena conhecer Chicago?
Quando começamos a planejar essa viagem, Chicago era apenas mais uma cidade que queríamos conhecer.
Depois de alguns dias por lá, ela virou um dos nossos destinos favoritos nos Estados Unidos.
Acho que isso acontece porque Chicago entrega um equilíbrio difícil de encontrar. Ela tem arquitetura impressionante, uma cena gastronômica excelente, museus incríveis, parques muito bem cuidados, esportes, vida cultural intensa e um lago que, em muitos momentos, faz você esquecer completamente que está longe do mar.
Foi uma cidade onde caminhamos sem pressa, fizemos um dos melhores passeios de barco que já experimentamos nos Estados Unidos, entendemos por que tanta gente é apaixonada por arquitetura e descobrimos que alguns dos melhores momentos não estavam necessariamente nos pontos turísticos, mas em um café de bairro, em uma caminhada pelo Riverwalk ou simplesmente observando o movimento às margens do Lago Michigan.
Se você ainda enxerga Chicago apenas como uma cidade de negócios ou uma conexão de aeroporto, acho que vale dar uma segunda chance.
Foi exatamente isso que fizemos.
E ela acabou se tornando uma das maiores surpresas das nossas viagens pelos Estados Unidos.



